"Escrever é cometer um crime a cada linha. Ler é cometer dois a cada palavra".
quarta-feira, 30 de março de 2011
Para alguém que se foi com a mesma idade que eu... (Bernardo Almeida)
Imagem: Entre dois mundos - Bernardo Almeida
Para alguém que se foi com a mesma idade que eu...
Ir tão cedo
E ainda logo
Ressurgir
Na lembrança agridoce
De quem ficou
Ao chão
Lágrimas
Tantas foram
Mas nenhuma pôde apagar a chama
Na cremação
Pó é poeira – e se dispersa
Para além da sua juventude
Agora eterna
Espalhada pelos quatro cantos
É brasa e queima entre dois mundos
Passaste
É tarde demais
E não deu tempo
Para quase nada...
sábado, 26 de março de 2011
Bruna Surfistinha (o filme) O Veneno do Escorpião - Por Bernardo Almeida (Poesia)
Nessa onda do filme ainda nasceu uma poesia...
How insensitive – a poesia da boceta (assistindo Bruna Surfistinha)
Imagem: O falo - Bernardo Almeida
A boceta
É bem
Vedada
Mas
Dada
Ou paga
É viagem concretizada
É obrigado
E volte sempre
Nada mais
Menos, nem
Tampouco
Nada!
É boceta – um buraco
E foda-se!
Cambada
Bernardo Almeida
www.bernardoalmeida.jor.br
How insensitive – a poesia da boceta (assistindo Bruna Surfistinha)
Imagem: O falo - Bernardo Almeida
A boceta
É bem
Vedada
Mas
Dada
Ou paga
É viagem concretizada
É obrigado
E volte sempre
Nada mais
Menos, nem
Tampouco
Nada!
É boceta – um buraco
E foda-se!
Cambada
Bernardo Almeida
www.bernardoalmeida.jor.br
sexta-feira, 25 de março de 2011
Bruna Surfistinha (o filme) O Veneno do Escorpião - Por Bernardo Almeida
Alguns filmes nacionais têm me surpreendido. Um deles foi Bruna Surfistinha. Não por aspectos técnicos e lingüísticos, em relação à cinematografia. Mas à qualidade estética e textual da película. Acho que atriz (Deborah Secco) se esforçou para se superar, e atingiu seu maior papel na carreira.
Bom afirmar que não consegui passar das 40 folhas de papel do livro. Muito ruim. Sério. Primeira vez que digo isso sobre uma “adaptação”.
Acho que a Raquel Pacheco, apesar de tudo, e, sobretudo, foi uma batalhadora, ao seu modo – uma mulher corajosa que se expôs em todos os sentidos. Estou sempre ao lado das melhores mulheres. Sou um apaixonado por elas. São o máximo – não importa o que façam. É um grande filme destinado a olhares menos preconceituosos – contém atrizes globais.
Mas não é um filme global. Talvez tenha gostado tanto por ter tido a oportunidade de conhecer de perto e admirar a vida dessas mulheres que trabalham com o sexo. Então, serei suspeito. E isso não é verdade.
Precisamos humanizar e aprender a compreender mais as peculiaridades de cada ser – e da sua necessidade como humano. É um filme raso (para quem o procura) e profundo (para quem o descobre). É um péssimo filme pornográfico para o masturbador. Talvez não seja tão ruim para o existencialista. Mas merece o clichê francês “c´est la vie”. Não vai e nem deve agradar a todos - no melhor e no pior sentido... E quem quiser que conte e crie outra história.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Devoção - Bernardo Almeida
(Imagem: Devocificado - Bernardo Almeida)
Devoção
Se com mil toques pudesse agraciar a sua beleza
Se com mil palavras pudesse definir suas curvas
Se com mil passos pudesse percorrer entre seus mistérios
Se entre mil pessoas o seu olhar fosse somente meu
Se com mil orgasmos pudesse presenteá-la
Se de mil paixões pudesse abastar seu peito
Se mil amores eu pudesse renunciar
Se com mil sons, pudesse cantar sua carne
Se ao meu amor terno estivesse tu entregue
Beberia mil jarras do seu sorriso
Se em mil versos pudesse ler a sua alma
Se em mil encarnações pudesse entregar-lhe a minha
Se com mil destinos tivesse escolha
Minha rota seria seu caminho
Se em mil sonhos, apenas você
Se em mil sensações, suas mãos
Se em mil delírios, seus lábios
Se em mil crenças, devoção a você
Se em mil desejos, suas fantasias a realizar
Se em mil perfumes, seu aroma
Se em mil tentações, a sua presença
Que inebria e irradia vida
Que ilumina e salva
Desperta e liberta
Amém, amém!
Crença e aparência - Bernardo Almeida
(Imagem: A invenção do abismo - Bernardo Almeida)
Crença e aparência
Quem crê no amor e nunca chorou
Dificilmente amou
Quem crê no amor e nunca sofreu
Dificilmente amou
Quem crê no amor e nunca perdoou
Dificilmente amou
Mas quem ainda crê no amor?
O amor foi reduzido a desejo
Passageiro, ligeiro
Um sem número de parceiros
Companheirismo é piegas
Amar alguém é tão brega
A sinceridade está de braços cruzados
A cumplicidade tirou férias
E o compromisso se aposentou
Mas quem ainda crê no amor?
Livre de interesses materiais
Repleto de saudades e lembranças
Os corações estão trancados
Protegidos contra danos
Todo mundo é tão sério e prudente
Falta coragem para amar
É mais fácil possuir do que se entregar
Mas quem ainda crê no amor romântico?
O que era sentimento verdadeiro
Não passa hoje de um jogo entre parceiros
A morte já não separa os casais
O amor morre muito antes
O vinho é transformado em água
Sem sabor, gosto ou cheiro
Sem emoções e sem feições
Quem veio ao mundo e nunca amou
Falar sobre a vida não pode
Porque nada sabe
Porque nada aprendeu além de futilidades
Porque nada sentiu além do trivial
Porque nada entendeu além do óbvio
Porque, ainda que vivo, nunca viveu
(Bernardo Almeida - Achados e Perdidos - 2005)
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