sábado, 28 de dezembro de 2013

Elizeu Moreira Paranaguá recita poema inédito na XI Bienal Internacional do Livro da Bahia


Elizeu Moreira Paranaguá recita o poema inédito "O mundo aos 50", ao som de Vandex, na XI Bienal Internacional do Livro da Bahia, em novembro de 2013. Ao lado dele, apresentaram-se José Inácio Vieira de Melo e Rita Santana. Na plateia, amigos como Antonio Carlos Barreto, Jotacê Freitas, Douglas de Almeida, Franklin Maxado, Cleberton Santos e Bernardo Almeida, além de outros admiradores.

O MUNDO AOS 50
(Elizeu Moreira Paranaguá)

"Surge a manhã de um novo ano"
Carlos Drummond de Andrade

Tenho 50 anos,
não tenho 50 coisas.
Tenho 50 anos,
não tenho 50 coisas

O tempo e o espelho respondem ao homem
que tem dobras no rosto.

O mundo desperta o sentido para a vida
porque a vida não conhece outra forma
para viver
senão viver.

O mundo move o fogo
e um falso amor.

A existência fica diante do Caos
onde o sol ultrapassa o vulcão
que corta o Dragão da Morte.

A luz define o mundo
onde o céu e o inferno
medem forças.

A luz que é a força da alma
possibilita ondas de esperança.
A luz que desfaz o abismo de trevas
é a mesma que me renova na espuma.

Sei que estou envelhecendo
como uma árvore
que faz sombra no profundo
como o planeta
que curte o estilo natural do Desconhecido
como a pedra
que está no espelho
do filho Velho.

Sei que o tempo
atiça uma dor absurda
e atinge o corpo
os cabelos
e os olhos de jovem autênticos.

O que posso dizer
dos meus 50 anos ?

O que posso dizer
dos tesouros e sonhos
da juventude?

Tudo tem o peso da idade.
Tudo tem o tempo da medida.
Tudo tem a marca do limite.
Tudo tem a razão da vida.
Tudo tem a dança do Destino.

O tempo não envelhece o espírito
no ensino pelo caminho da Arte.

A Arte sustenta seres para a vida
onde a máquina do Mistério
investe contra o inferno.

Elizeu Moreira Paranaguá

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